As mulheres, nossos direitos – o que fazer?

As Mulheres 23 incomodam-se com a conjuntura que ainda se mostra desfavorável na expectativa das discussões de gênero e acreditam que os espaços de decisão precisam ser compostos por pessoas de diferentes perspectivas sociais. Os direitos sociais das mulheres precisam ser reconhecidos e maior presença feminina nos espaços de poder alteraria a formulação de políticas públicas, hoje feitas pelos homens.

Nós temos que ser protagonistas das mudanças sociais que precisam ocorrer na sociedade para que, de fato, consigamos impactar homens, mulheres, jovens, crianças… sim, as crianças podem ser um canal de comunicação de valor inestimável. Elas reproduzem o que vêm. Se formos assertivas em nossas atitudes elas também o serão.

Lutando pelos direitos que são nossos, mas que não nos pertencem

Todos poderão nos enxergar quando tivermos algumas de nossas reivindicações atendidas! Quais sejam:

  • Defender e promover o poder com composição paritária entre os sexos nos parlamentos com condutas éticas e responsáveis;
  • Defender e promover os direitos civis e a integridade pessoal não discriminando por sexo/gênero, etnia, religião ou crença, origem, condição física, mental, social e com deficiência, idade, orientação sexual, identidade de gênero, estado civil e apoiando medidas que penalizam os crimes de discriminação e preconceito;
  • Defender e promover a educação pública democrática de qualidade em todos os níveis, garantindo currículos escolares e materiais didáticos que respeitem as relações de gênero, etnia, crença, origem, condição física, mental, social e com deficiência, idade, orientação sexual e identidade de gênero;
  • Defender e promover a Saúde Sexual e Reprodutiva com a estruturação e humanização do SUS auxiliado por programas de prevenção e tratamento das DST/Aids; do câncer nos órgãos reprodutivos e de mama; programa de humanização do pré-natal e nascimento; assistência à concepção, acesso a todas as formas de contracepção e interrupção da gravidez;
  • Defender e promover programas radicais de combate e prevenção à violência de gênero;
  • Defender e promover trabalho/geração de renda/trabalho doméstico combatendo toda e qualquer forma de discriminação no mercado de trabalho em termos de admissão, salário e benefícios, promoção, capacitação, ocupação de cargos de chefia e saúde da mulher;
  • Defender e promover políticas para cidades mais seguras, garantindo às mulheres seu direito de ir e vir quando, onde e como quiser.

Quem lutará por nós se não formos nós mesmas?

O que queremos é muito simples de compreender. Nossas reivindicações são as mais básicas possíveis para nossa existência plena e CIDADÃ. Só queremos o que é nosso por direito!

Todas as mulheres e todos os homens devem lutar por isso. Nossos problemas são problemas da sociedade. Só a sociedade pode transformar a história! Trata-se de um ato coletivo senão ela não acontece.

Dos anos 1980 para cá, vivemos uma onda feminista que está cada vez mais consolidada. A palavra feminista está deixando de ser palavrão porque a sociedade cada vez mais compreende que os direitos das mulheres são direitos humanos. Que feminismo é humanismo! E que bom que estamos conseguindo assumir: “EU SOU FEMINISTA”. Por que? Porque acredito que homens e mulheres, têm ambos de desfrutar dos mesmos DIREITOS DE OPORTUNIDADES na sociedade.

Este é um simplista significado de “ser feminista”. Podemos encher a boca, estufar o peito e dizer sem vergonha alguma que lutamos pelo que é nosso: os direitos como pessoa. Os direitos das mulheres também são direitos humanos!!!!!!!!!!!!!!

Deixando bem claro!

Feministas não são o contrário de machistas. Isso é pura desinformação. O MACHISMO MATA! As feministas só querem um mundo igualitário para todas as pessoas, sem preconceito, sem privilégio, sem exclusões, sem violência. Esta luta chama-se equidade de gênero, ou seja, cada qual ocupando seu espaço na sociedade. Com suas diferenças respeitadas… Estas são as bandeiras das Mulheres23!

Como conquistar nossa pauta de lutas (a plataforma das Mulheres23) sem a ajuda das leis? NÃO é POSSÍVEL! Não conseguiremos apenas por nós e por nossa vontade. Precisamos das leis! Quem faz as leis? O Parlamento! E o Parlamento é, desde sempre, formado por homens, brancos e ricos.

Lutam por seus interesses. Particulares ou não, mas por seus interesses! Algumas mulheres, também! Não lutam pelo coletivo das mulheres brasileiras.

Enquanto somos cerca de 15% dos integrantes nos parlamentos, os homens brancos e ricos (repito) são o restante: 85%. Seguram nossas bandeiras? NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

85% versus 15% ?

A sub-representação feminina nos parlamentos continua a assombrar a sociedade, eleição após eleição. Quando se pensa que talvez as mulheres tenham algum avanço na política eleitoral, os resultados continuam a se mostrar pífios.

No Brasil, está muitíssimo difícil aos partidos atravessarem a barreira cultural. Não derrubam efetivamente seu machismo nesta questão. Ao tempo em que aceitam a existência de um organismo voltado ao empoderamento das mulheres militantes, na hora das eleições pecam por não dar apoio efetivo. Não investem em candidaturas novas. No dia a dia, também o apoio é relativo. As direções ainda não compreenderam a importância de preparar novas candidaturas. Apenas compreendem que a Lei Eleitoral exige 30% de mulheres em suas chapas eleitorais. Colocam os 30%, passam pelo crivo da organização partidária e dos TREs, não se dando conta da importância do trabalho da formação política, da preparação das militantes para ocupação de cadeiras parlamentares.

O foco do movimento M 23: a mulher na política! Mas por quê?

Muito simples de compreender: por conta da importância da pauta feminina nos parlamentos, que se reflete na luta de políticas públicas para as mulheres que vão da saúde pública à criação de creches passando pela violência pública e doméstica.

Cada lei, para ser atendida efetivamente, exige que se criem políticas públicas para atendê-la. Nenhuma lei existe por si só e muitas delas sequer são levadas em conta. Como reverter essa fragilidade? Apoiando e preparando as mulheres para ocupar cadeiras nos parlamentos (municipais, estaduais e federal).

Qualquer mulher? NÃO!

Tem que ser mulher que compreenda que a participação das mulheres na política formulando ações políticas para as mulheres alargará o universo dos direitos coletivos e individuais e tornará a democracia mais fortalecida.   

O que é esse tal de empoderamento?

Como se não bastasse o palavrão “feminismo”, temos também “empoderamento”. Mais um palavrão necessário!

Empoderamento feminino é dar às mulheres o direito de poderem participar na sociedade cientes das lutas pelos seus direitos, cientes de que podem posicionar-se em todos os campos sociais, políticos e econômicos. Resumindo: empoderar é dar poder.

“Poder” para “poder participar” de debates públicos ouvindo, refletindo, palpitando, discutindo e tomando decisões que sejam importantes para o futuro da sociedade, principalmente nas questões relacionadas às mulheres.

O necessário é que haja uma ampla igualdade entre o posicionamento e participação de ambos os gêneros na sociedade. É a opinião das mulheres tendo o mesmo valor que a opinião dos homens.

O que tem M23 com isto?

Tanta coisa! Ou, tudo!

Temos alguns princípios partidários básicos que são o humanismo, a ampliação da democracia e os valores da cidadania com liberdade, ética, justiça social, solidariedade, sustentabilidade…

Somos de opinião que a conscientização de direitos, com a devida formação política transforma a condição das mulheres e de suas relações.

A condição de mulher empoderada não favorece apenas a sua participação igualitária em assuntos sociais, políticos e econômicos. Longe disso! Ela se fortalece também para enfrentar as adversidades da vida.

E esta é a outra importante vertente do trabalho partidário de M23. É a que ajuda no combate o câncer da sociedade que é a violência doméstica.