Opinião – Sinal vermelho, a necessidade de lutarmos contra a violência doméstica

[*]​ Rafaela Teles

De acordo com as autoridades de saúde, o isolamento social é medida importante contra a propagação da Covid-19. Porém, uma das consequências do isolamento tem sido o aumento dos casos de violência doméstica contra as mulheres, em decorrência da maior convivência com os seus agressores.

Com a pandemia, o isolamento social tem aumentado de forma significativa as denúncias de violência doméstica contra mulheres. Ainda em março, com o início da quarentena, o número de denúncias recebidas pelo canal Ligue 180, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos  – MMFDH -, aumentou 17,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já em abril, o crescimento foi de 37,6% considerado o mesmo mês de 2019.

O isolamento social imposto pela Covid-19 é desafiador para os diversos núcleos familiares. A tensão provocada pela pandemia, o medo de contaminação, a dificuldade financeira e as múltiplas tarefas em casa geram situações de ansiedade e stress que dão amplitude para o comportamento agressivo daqueles que já agiam desta forma. Em muitas situações, este conjunto de fatores tem levado agressores verbais a partir para a agressão física.

O confinamento amplia o sentimento da mulher de que é refém da situação. A quem procurar se não sai de casa? Com quem falar se pouco se comunica com o mundo externo? Muitas mulheres não conseguem denunciar, gerando um número alto de subnotificações.

A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos alerta que esse tipo de violência cresceu,  significativamente, em todo o país e convoca toda a sociedade para que se mobilize e denuncie. A violência doméstica não pode ser um problema só do casal ou da polícia. É um problema de toda a sociedade. É importante que todas as pessoas estejam atentas e sensíveis aos sinais de violência doméstica.

Precisamos oferecer ajuda sem julgamento, nos manifestarmos com sutileza diante da situação. Não devemos julgar, nem silenciar se ouvirmos ou presenciarmos uma agressão. É preciso acionar a polícia através do número 180.

Mais do que nunca precisamos estar atentas às mulheres à nossa volta, perceber mudanças de comportamento ou um isolamento maior. Criar senhas para a comunicação e garantir que tenha total segurança para pedir ajuda.

É importante salientar a urgência do tratamento psicossocial do agressor, ação já realizada com sucesso em alguns municípios sergipanos através de uma parceria entre a delegacia e o departamento de psicologia da Universidade Federal de Sergipe – UFS.

Fazer parte desses grupos é parte integrante da medida protetiva para a vítima e tem impactos diretos no julgamento do agressor. Esta ação busca estimular a reflexão em torno do ato agressivo, valores e ideias presentes no contexto da violência de gênero, com foco na violência contra a mulher.

Para reduzir a violência contra a mulher precisamos dialogar sobre a formação da identidade masculina atribuída histórica e socialmente à violência e impositividade, definindo papéis e formas de ser e se comportar.

É tempo de se construir uma sociedade mais justa e igualitária e para isso é essencial refletirmos sobre papéis, relacionamento, respeito e cuidado entre homens e mulheres.

[*]​ Graduada em Ciências da Religião, graduanda em Serviço Social e pós graduanda em História e Cultura Afro Brasileiro. É membro do movimento negro e cultural de Japaratuba.

Fonte: http://jlpolitica.com.br/colunas/politica-mulher/posts/professora-avilete-e-cetica-com-relacao-a-pandemia-e-nao-ve-motivos-para-alterar-eleicao/notas/opiniao-sinal-vermelho-a-necessidade-de-lutarmos-contra-a-violencia-domestica